
Maior edição da história do evento também registra crescimento nas vendas de grandes editoras e livrarias
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo chegou ao fim neste domingo (13) com um número histórico: 760 mil pessoas passaram pelo Distrito Anhembi durante os dez dias de evento. Realizada entre os dias 4 e 13 de setembro, a edição de 2026 superou o público registrado em 2024, quando 722 mil visitantes participaram da Bienal. Os números divulgados pela organização reforçam a dimensão do evento como um dos principais encontros literários da América Latina e mostram a força do mercado editorial brasileiro, reunindo leitores, autores, editoras, livrarias e profissionais de diferentes áreas relacionadas ao universo dos livros.
Uma Bienal maior e com novas experiências para o público
Além do recorde de público, a edição de 2026 também apresentou uma estrutura ampliada. A Bienal ocupou aproximadamente 87 mil metros quadrados, um crescimento de 28% em comparação com a edição de 2024. A ampliação permitiu a criação de corredores mais espaçosos e melhorias na infraestrutura do evento. Outra novidade foi a realização de uma programação noturna direcionada especialmente ao público adulto, criando uma nova possibilidade de participação para quem preferiu visitar a Bienal no período da noite.
A organização também ampliou a iniciativa de cashback, buscando oferecer novas possibilidades de compra aos visitantes. Outro dado que chama atenção é o acesso ao evento. Mais da metade dos visitantes teve entrada gratuita, segundo informações divulgadas pela organização. O resultado reforça a proposta de ampliar o acesso à literatura e aproximar o público dos livros e dos autores.
Impacto também aparece nas vendas
A grande movimentação de visitantes se refletiu diretamente nos resultados comerciais dos expositores. De acordo com uma pesquisa realizada com as empresas participantes, houve crescimento de 57% na média diária de faturamento em relação à Bienal de 2024.
O resultado demonstra que a Bienal não representa apenas um grande encontro cultural, mas também possui um impacto significativo na cadeia produtiva do livro. Para editoras e livrarias, o evento funciona como espaço de vendas, divulgação de lançamentos, relacionamento com leitores, encontros com autores e realização de negócios. Entre os resultados divulgados pelas empresas participantes estão números expressivos.
A Rocco, por exemplo, informou que registrou faturamento 121% superior ao obtido na Bienal de São Paulo anterior e 37% acima do resultado alcançado na edição realizada no Rio de Janeiro. Segundo a editora, esta foi a maior Bienal de sua história. Já a Sextante e a Arqueiro registraram crescimento de 82% em relação à participação anterior na Bienal paulista, realizada em 2024.
A Intrínseca também apresentou um resultado expressivo, com aumento de 85% no faturamento em comparação com a edição de 2024. Entre os destaques esteve o interesse do público por títulos de fantasia, incluindo A Guerra da Papoula, de R. F. Kuang. Outro destaque foi a Livraria Loyola, que informou ter vendido mais de 60 mil exemplares ao longo dos dez dias de evento. O público buscou livros de diferentes áreas, entre elas ficção, literatura jovem e jovem adulta, educação, pedagogia, filosofia, religião, teologia, literatura infantil e mangás.
A Editora Mostarda registrou crescimento de 50% nas vendas. Entre os títulos que tiveram destaque estavam Meu Pé de África, de Marcos Cajé; A Menina e a Toga, de Flávia Martins de Carvalho e Micaela Prado; e O Livro da Democracia, de Cármen Lúcia, Mariana Oliveira e Sabichinho. A VR Editora informou crescimento de 32% nas vendas em comparação com a edição anterior, classificando 2026 como a melhor Bienal de sua história. Entre os títulos que se destacaram estavam Império do Vampiro, As Palavras Não Ditas, Diário de um Banana 1, Uma Maldição para Samantha e Max Medroso.
O Grupo Companhia das Letras também encerrou sua participação com crescimento significativo. Segundo os dados divulgados pela empresa, houve aumento de 67% no faturamento e de 55% no volume de exemplares vendidos em comparação com a Bienal de 2024.
Espanha foi o país convidado de honra
A programação internacional também teve destaque nesta edição. A Espanha participou como Convidada de Honra, apresentando o projeto “Confluências”. O país ocupou um estande de aproximadamente 500 metros quadrados e trouxe 50 autores para a programação.
A curadoria ficou sob responsabilidade da escritora espanhola Marta Sanz, e a proposta buscou apresentar ao público brasileiro diferentes aspectos da produção literária espanhola contemporânea. A participação também serviu como oportunidade de aproximação entre os mercados editoriais brasileiro e espanhol, reunindo escritores, editores, profissionais do setor e leitores.
Sustentabilidade e acessibilidade também estiveram presentes
A edição de 2026 incorporou iniciativas relacionadas à sustentabilidade e à acessibilidade. Segundo a organização, houve ações para destinação adequada dos resíduos produzidos durante o evento, utilização de energia proveniente de fontes renováveis e maior presença de materiais recicláveis na montagem dos espaços.
Também foi disponibilizado transporte gratuito entre o metrô e o Distrito Anhembi, iniciativa que facilitou o deslocamento dos visitantes e estimulou o uso do transporte coletivo. Na área de acessibilidade, a estrutura física foi adaptada para receber pessoas com mobilidade reduzida, além de iniciativas destinadas a ampliar a participação de diferentes públicos na programação.
Um retrato da força da leitura
O encerramento da 28ª Bienal do Livro de São Paulo deixa como principal marca o recorde de público e os resultados positivos apresentados pelo mercado editorial. Para Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), os números mostram a força da Bienal como espaço de encontro cultural e também como um importante motor para a cadeia do livro.
A edição de 2026 reuniu 760 mil visitantes, centenas de autores e diferentes empresas do setor editorial, demonstrando que o interesse pela leitura continua encontrando espaço entre públicos de diferentes idades. Mais do que um espaço de compra e venda de livros, a Bienal se consolidou novamente como um grande ponto de encontro entre leitores e histórias. O recorde alcançado em 2026 reforça a importância de iniciativas que aproximem o público da literatura e criem novas oportunidades para autores, editoras, livrarias e leitores.
A 28ª edição chega ao fim, portanto, deixando não apenas números expressivos para o mercado editorial, mas também a imagem de uma Bienal ampliada, diversificada e cada vez mais presente no calendário cultural de São Paulo.




